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terça-feira, 28 de junho de 2011

Covarde Que Sou, Me Afastei

Falhei, Eu Sei...
Semana passada em frente a um shopping, por volta das 18:30, assisti uma cena que me fez pensar, mexeu muito comigo ver aquilo. Uma moça, com aparência de ser mais nova do que eu, talvez no máximo uns 28 ou 30 anos, separava o lixo, eu a vi de longe e mesmo a distância, pude reparar que se tratava de uma pessoa jovem, ao me aproximar me deparei com algo ainda mais chocante, junto dela, uma garotinha, aparentando não mais do que 10 ou 12 anos, essa menina estava ajudando no serviço, pegava um saco plástico, abria para ver o que tinha dentro ajudando a moça a separar o lixo, do que para elas talvez pudesse interessar, ter algum valor, não sei dizer se ali estavam mãe e filha, sei que fiquei ali observando a cena por alguns minutos, sai dali pensando, a cena da menininha cheirando o lixo, talvez por curiosidade, ou quem sabe até por fome, não sei, mas de fato a menina cheirava o lixo e com certeza chegaria em casa fedendo a lixo. A mulher e a criança, a criança e a mulher, ali numa movimentada avenida, cantando lixo, num horário de grande movimentação de pessoas em direção ao ponto de ônibus, rumando para suas casas e durante todo o tempo não vi ninguém olhar aquela cena triste, passavam a 3 metros, talvez menos, e a maioria, nem olhava, eu não vi ninguém durante os pouco mais de 7 minutos que fiquei olhando, que tivesse sequer notado aquela tristeza. Quem me conhece sabe o quanto eu gosto de criança, ver aquelas pobres meninas naquela situação me rasgou o coração, os pouco mais de  420 segundos que fiquei observando aquelas duas pessoas, me deixaram muito triste, por 3 vezes pensei em ir até elas e dizer alguma coisa, minha voz interior, uma voz que eu ouço de vez em quando, me dizia que eu poderia me aproximar e que eu saberia o que dizer ao deixar a minha angústia ganhar fôlego através dos movimentos das minhas pregas vocais, tudo ficaria bem, eu teria feito o bem, diria as palavras certas e ofereceria o cabível diante daquela cena incabível, mas eu nada disse, nada fiz, pensei, pensei, pensei e por fim, me afastei. Voltei a me incomodar lembrando da pobre menina e também daquela mulher por várias vezes, hoje amanheci o dia pensando em como transformar a angústia que essa lembrança ainda me causa em texto e, me recordando daquele dia, do que pensei a caminho de casa, voltei a me indignar, e então, só então, me dei conta do significado desta pequena palavra. Causa indignação tudo aquilo que nos deixa revoltados, irados, e o que me causa indignação, não é assistir aquela cena, mas sim descobrir que nossa cidade está crescendo e ficando cada vez maior e mais bonita, mais imponênte, mas nos moldes errados, sei que seria uma grande utopia acreditar ser possível um dia chegaremos a ser uma Cidade Metrópole a custo zero de danos sociais, mas não deveria, ou pelo menos, nós, os moradores da cidade, deveríamos dar mais atenção aos pequenos detalhes que podem ajudar a cidade crescer sofrendo menos esses males, em algum lugar esse movimento pode começar, eu vou me comprometer agora, aqui neste texto, no próximo pleito municipal, vou escolher um candidato a vereador que nunca tenha se elegido e que não seja ligado a nenhum grupo politico, embora este tenha que se ligar a algum partido quando resolver que será candidato, escolherei como candidato a prefeito, alguém que não pertença ao grupo "B" ou ao "P", vou querer conhecer ambos, e pretendo perguntar a eles sobre o que pensam como sociedade, convivência, e se teriam coragem de votar num projeto de Lei que criaria o (PCP)que Definiria o "Plano de Carreira Política". Que projeto seria esse? Ah esse eu conto outro dia, agora vou voltar para minha agônia, pois mesmo sabendo que devia, eu nada fiz, bem que eu quis, mas não fiz. Fazer o bem, sem olhar a quem, amar ao próximo como a ti mesmo, fácil? é nada, é sempre difícil quando se trata de amar o desconhecido, o maltrapilho, afinal, não é ninguém, nem mesmo está ali. ¿Afinal, quantos de nós sabemos os nomes do porteiro que nos atende com um sorriso quando chegamos ao prédio onde trabalhamos, quantos sabem o nome da zeladora do prédio, que mantém os corredores limpos? Se muitos não sabemos nem os nomes das pessoas que nos servem diariamente, quem dirá sermos capazes de uma demonstração de amor por uma desconhecida que com a ajuda de uma criança, meu Deus, uma criança, separa o lixo em frente a porta de uma sala comercial do outro lado da avenida, em frente ao shopping mais movimentado da cidade.
Dinheiro, Dinheiro... Será essa a temática da canção que no futuro vamos entoar? Dinheiro, dinheiro... Os vereadores só pensam em mais ganhar. Famílias com fortes tradições e raizes políticas, só pensam em mais prestígio político somar, gente usando gente para somas em dinheiro multiplicar e o povo esquecido, catando lixo, cheirando a lixo, na beira de um bueiro.

Um comentário:

LÊ disse...

OI MANINHO.. FAZ ALGUM TEMPINHO QUE NÃO COMENTO POR AQUI RSRS MAS NÃO TENHO DEIXADO DE LER SEUS POSTS...

CENAS COMO ESTA QUE VC DESCREVEU TÃO BEM, ME FAZEM PARAR E REFLETIR NA MINHA PRÓPRIA VIDA, EM MINHA HUMANIDADE, FICO PENSANDO... SOMOS DE FATO HUMANOS?? ÁS VEZES PARECE QUE NÃO... PORQUE NOS IMPORTAMOS MUITO POUCO COMO OS NOSSOS DA MESMA ESPÉCIE... É TRISTE CONSTATAR ESTA VERDADE!!!

QUE BOM QUE VC NÃO DEIXOU A SENSIBILIDADE MORRER!! CULTIVE ISTO, QUEM SABE CONSEGUIMOS PLANTAR MAIS AMOR NOS CORAÇÕES...

AMO VC!!
BJSS