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quinta-feira, 25 de abril de 2013

A Lição da Raposa

Eu me lembro de uma vez que eu resolvi ficar bravo com uma ex-namorada que disse pra mim a famosa frase "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Eu afirmei que considerava aquilo uma verdadeira idiotice, que não existia isso de alguém se tornar eternamente responsável por nada, que o eternamente era algo utópico e pesado demais, aconteceu em 2004, no finalzinho do ano, acontece que esta pessoa era e continua sendo muito importante para mim, eu vivia um momento um pouco conturbado naquela ocasião e ela também havia recém saído de um momento bastante delicado e ainda estava procurando se curar das feridas e aprendendo a lidar com as sequelas, mas naquele dia a reação dela foi simplesmente me questionar se eu nunca tinha lido "O Pequeno Príncipe". Eu já tinha ouvido a frase milhares de vezes, até já tinha ouvido falar o nome do autor, mas nunca tinha me ligado no livro, até então eu tinha lido pouquíssimos livros, alguns da série Vaga-lume e alguns outros, mas nenhum que eu pudesse dizer que tinha me marcado. Pouco tempo depois, se não estou enganado no começo de 2005, meu irmão Joabe pediu para eu ficar de babá do Simba no apartamento dele e da Andrea, sim, eu já fui babá, e de um cachorro, então naquela ocasião, vi que a Andrea tinha o livro por lá e claro, peguei o livro e fui ler, comecei e perdi a noção do tempo, eu queria saber mais e mais sobre aquele pequeno viajante, quando comecei a conhecer a sua amizade com a tal flor, fiquei até um pouco triste, afinal a flor é meio fingidinha, falsa, sei lá, em algum momento juro que torci para que o pequeno se esquecesse de sua flor em sua viagem, mas não, o que ocorre é exatamente o oposto disso, e olha que quando ele encontra um jardim cheio de flores que seriam "iguais" as suas, ele até fica triste também, pois até aquele momento julgava que sua flor era única e no entanto acabara de descobrir que não, um pouco mais a frente, acontece o que eu chamei de "Lição da Raposa" e a raposa o ensina sobre o verbo "Cativar". Hoje compreendo que a frase não é nenhum pouco pesada, nenhum pouco idiota e muito menos utópica. Aprendi com o tempo que na maioria das vezes, acontece sem que tenhamos escolhido, cativamos e somos cativados naturalmente, Exupéry deixou uma obra maravilhosa e sensível, é lindo aprender lendo o livro dele, e apesar de a frase parecer pesada e dura, não é, ela é só realista demais para alguns de nós adultos, quando crianças vivemos e vivenciamos esse cativar todos os dias sem esforço, mas ai vamos crescendo e tudo vai mudando, com o tempo parece que começamos a deixar de enxergar pessoas, parece que só o que vemos são "Oportunidades", não estou aqui falando de ninguém e sim de mim mesmo, mas sei que se aplica a muitas das pessoas que vão ler este texto, acontece que podemos até nos afastar desta ou daquela pessoa, mas o fato é que como diz a frase, o eternamente está lá e ele só se instala, não é possível fazer a remoção depois, sinto saudades de algumas pessoas que me cativaram que um dia cativei e com quem hoje por algum motivo não tenho mais contato, ai é que está o eternamente, jamais vou esquecer, sei que assim que estas pessoas reaparecerem ou no caso de algumas delas, estiverem prontas para voltarmos a ter algum contato, o eternamente nos fará perceber tudo de novo, sinto saudades da a Joszy, convivemos por mais de 2 anos, nos víamos diariamente e tivemos ótimas conversas, momentos de uma bela amizade que guardarei na memória para o resto da vida, nunca vou me esquecer da Vivi, me divertia muito em passar o tempo com ela, enquanto eu tiver vida vou ter esperança de um dia reencontrar o Luiz Carlos filho da Ana, um amigo que fiz na infância quando morava la no Jardim Independência la em Sarandi e que como era mais velho e maior que eu, me protegia na escola dos outros meninos que ficavam me zoando, em 1995 quando fui ao Tocantins e passei uns dias por lá na casa de meu tio Laercio, conheci o Sebastião Dias, um sujeito alto astral que sempre tem uma piadinha curta ou algo de bom para dizer e que nos ajudava a recuperar o ânimo, este comunicador me cativou, hoje temos contato via facebook, mas ficamos um bom tempo sem contato algum e ele nem está tão longe assim, se eu fosse citar todos, o post jamais terminaria. No final da década de 1990 conheci duas crianças lindas, que meio que se tornaram fãs quando eu trabalhava no Thermas de Maringá, o Rafael e a Suimê, eles me cativaram logo de início, eu ficava ansioso por receber a visita dos dois no estúdio, todas as tardes que eles iam até o clube, passavam la pela rádio, algumas vezes até me levaram bombons, e no fim de ano cada um me entregou um cartãozinho do Smilingüido, um personagem criado para historinhas bíblicas infantis que acabou caindo na graça de todos os cristãos, mesmo os adultos, alguns anos mais a frente, em 2005 eu estava trabalhando em outro clube, desta vez no Tropical Waterpark e reencontrei a Su e o Rafa e eles tiveram dúvida quando eu disse que ainda tinha guardado em algum lugar aquelas lembrancinhas que eles tinham dado a mim a alguns anos atrás, pois é, eu  fucei nas caixas que tenho em casa até encontra-las, levei para o clube e quando eles apareceram lá outra vez, mostrei a eles, foi um gesto simples de minha parte, mas que para mim foi profundamente valioso, quando li pela primeira vez a explicação da Raposa sobre o significado de cativar, imediatamente voltei no tempo e revi a cena da primeira vez que o então pequeno Rafa na hora de ir embora foi lá me dar um abraço e dizer tchau, isso se repetiu algumas vezes, também me lembrei da primeira vez que vi a Su e a fiz sorrir, aqueles sorrisos me cativaram e continuam a me cativar até hoje, cada dia um pouquinho mais, hoje por tudo isso, entendo o motivo pelo qual sou eternamente responsável por aquilo que cativo, pois o eternamente está dentro de nós e não há como retirá-lo de lá, independe se a outra pessoa que te cativou quer ou não saber, ela continua na sua memória, na sua lembrança, no seu interior eternamente.

Um comentário:

Anônimo disse...

Meu caro e eterno amigo André!
No mundo contemporâneo onde as pessoas centram atenção no lucro e no prazer, em detrimento dos valores humanos que ficam fora de moda, estou extremamente feliz por ver que o jovem ( e velho) amigo, segue o caminho contrário, recordando e valorizando pessoas que em algum momento foram importantes em sua vida.
Você também me cativou para sempre amigo.
Um forte abraço,
Sebastião Dias